sábado, 9 de fevereiro de 2013

Bem alimentado, mas não completamente

Esta semana descobri que bem perto do local de trabalho há um restaurante alentejano, na conversa que tive com dois conhecidos pensei que poderia conhecer os donos do mesmo, e tentado pela qualidade da comida, se os donos fossem quem eu pensava que eram, fui à descoberta.
O restaurante tem um nome alentejano, assim como a decoração. Os pratos do dia eram portugueses, Frango frito ou assado, peixe grelhado, iscas, pratos alentejanos somente a grelhada de porco preto, o que é pouco para o definir como um restaurante alentejano.
Decidi-me pelas iscas, bem feitas, com cebolada a acompanhar e umas batatinhas pequenas assadas. Regalei-me.
Regalei-me mas não fiquei convencido com a qualidade regional dos pratos, ainda não foi desta que matei saudades de umas migas, açorda, sopa de cação, que bem a fazem no Estádio, também aqui bem perto, e de outros pratos tão típicos daquela região a sul do país.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Revenge e Scandal

Do que vou vendo na tv hoje não posso dizer que acompanhe nenhuma grande série, pelo menos ao nível de The West Wing e Battlestar Galactica, duas das séries que mais me cativaram, ou de Wire in the Blood, série psicologicamente violenta e bem escrita vinda da velha Albion.
Acompanho com interesse a bem escrita Downton Abbey, mas confesso que a última série e meia me soube a telenovela, bem escrita, mas telenovela ainda assim.
The Newsroom trouxe de volta a escrita e verve esquedista de Sorkin, de quem gosto bastante e a Sherlock Holmes inglesa é um produto muito bem escrito e adaptado, mas são muito poucos episódios com imenso tempo de intervalo.
O resto é cliché, bem ou mal embrulhado em novas e velhas tentativas de fazer algo diferente ou de esticar o velho modelo até à exaustão. Cuidado de escrita como The Wire apresentou é hoje mais raro.
No meio disto, tenho acompanhado com algum gozo duas séries americanas, Revenge e Scandal. Diz a esposa que são telenovelas, sim, mas se todas as telenovelas fossem tão bem escritas ainda via telenovelas. São uma amálgama de clichés, de personagens tipo, de situações modelo, mas que fazem o que querem e prepararam de forma escorreita.
Ontem via o último episódio da primeira série de Revenge com um sentimento agridoce, matar Madeleine Stowe é lógico, mas perigoso, ainda que a personagem desta fosse já pouco mais do que uma caricatura, aliás, como boa parte das personagens. O final tenta fechar a primeira estória, mas não fecha por completo que o sucesso da série a isso obriga. A tentativa de nos convencer a ver a segunda série falha, já que as conspirações só podem convencer-nos e motivar-nos até certo ponto. Provavelmente vou continuar a vê-la, pelo menos nos entretantos, mas as fórmulas têm vida curta, um dos segredos de Battlestar Galactica foi movimentar-se e mudar o foco em cada série, alterando o status quo da coisa.
Scandal aposta num modelo semelhante de Revenge, por trás um segredo, uma conspiração, todas as semanas um caso novo. A série apresenta por enquanto a leveza e aprofundamento das personagens das primeiras séries de Anatomia de Grey, algumas personagens são histriónicas e irritantes, mas é o conjunto que ainda vai funcionando e mantendo o interesse, mesmo que a conspiração seja pouco mais do que pífia.
Se séries como Lost, 24, House e outras nos ensinaram é que o modelo pode cansar e corroer o sucesso por dentro, manter o interesse do espectador com segredos por vezes pode ser contraproducente.
Mas por enquanto estas duas dão algum gozo, moderado, mas algum gozo.
"Thus was born one of the most powerful marketing tools of the twentieth century: giving away one thing to create demand for another. What Woodward understood was that “free” is a word with an extraordinary ability to reset consumer psychology, create new markets, break old ones, and make almost any product more attractive. He also figured out that “free” didn’t mean profitless. It just meant that the route from product to revenue was indirect, something that would become enshrined in the retail playbook as the concept of a “loss leader.”


Chris Anderson in Free

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013



"We're not thinking about why!" shrieked the mother. "We're thinking about who did it! You have to find out who it was, and lock him up! He's sick." Her husband patted her arm awkwardly. "We don't yet know," Sejer said, "whether the person in question is really sick or not. Not every killer is sick." "You can't tell me that normal people kill young girls!"


Karin Fossum in Don't Look Back

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Do Porco

Quando comparamos animais e pessoas, quando achamos que os dois grupos têm a mesma dignidade algo vai mal no reino de Elsinore.
Lembro-me sempre de uma frase de João Pereira Coutinho, "os animais não têm direitos, as pessoas é que têm deveres", compreendo que alguns se choquem com o comportamento do GNR, mas o que é de mais é moléstia.
Provando que gosto de porcos, e de outros animais no geral, vou ali provar o chouriço que os meus pais trouxeram de uma tia alentejana, que está divinal, talvez pelo animal não ter sido pontapeado.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013


"Faith in Jesus does not guarantee that everything will go our way. Look at Hebrews 11, the chapter sometimes called the faith hall of fame. Consider just the first three heroes mentioned in that chapter. As Bible commentator Bruce Waltke has pointed out, Abel had faith and he died; Enoch had faith and he did not die; Noah had faith and everyone else died!2 So just having faith doesn’t guarantee your life—or the lives of those around you—will be all candy canes and lollipops. Life isn’t always fun, and we shouldn’t expect it to be."
Kevin DeYoung in Just Do Something: A Liberating Approach to Finding God's Will or How to Make a Decision Without Dreams, Visions, Fleeces, Impressions, Open Doors, Random ... Liver Shivers, Writing in the Sky, etc.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Cinemas

A realidade das salas de cinema em Portugal mudou nestes últimos 30 anos. Já lá vai o tempo, nomeadamente durante a faculdade, que era presença assídua nos cinemas de Lisboa, inicialmente no Colombo, mas com o tempo no Saldanha, no Mundial, no Quarteto.
A semana passada trouxe com ela o fecho de algumas salas por todo o país, sinal dos tempos?
Pessoalmente, há razões que me levam a passar cada vez menos vezes pelas salas escuras.
Os filmes cada vez me interessam menos, e com a quantidade de séries (gravadas ou em DVD que tenho em casa para ver) e filmes (idem idem aspas aspas) o interesse é menor.
Por outro lado, somos dois ou três a ir ao cinema, o preço dos bilhetes e a eventual bebida ou pipocas aumenta o gasto e diminui o plaffond mensal, prefiro comprar dois ou três filmes pelo mesmo preço e ver em casa.
Por outro lado, a última vez que fui ao cinema, sessão dupla, irritou-me. Sou por natureza pontual, e irritou-me que o filme começasse vinte minutos depois da hora marcada e que durante esses vinte minutos visse mais de um quarto de hora de publicidade, como fui ver dois filmes de enfiada, foram trinta minutos de publicidade, nem em casa! Irritei-me e pedi satisfações, de lá para cá existe, pelo menos em Almada, um papel a informar que o filme começa um quarto de hora depois da hora marcada e que há anúncios.
Obviamente, que a pirataria tem o seu peso, confesso que saco um ou outro filme, mas não é razão suficiente para deixar de ir quando quero. O preço e as características das sessões, para além da publicidade, irritam-me, mas a paragem do filme a meio, a falta de cultura do público levaram-me ao divórcio com as salas de cinema.
Lembro-me com nostalgia dos filmes no Condes, no São Jorge, no Nina (Amora) e em Almada. Hoje, estes Cinemas (assim mesmo com letra grande) e com algumas familiaridade à mistura foram trocados pelo cinema de pacote. Tenho pena, muita pena, mesmo!