segunda-feira, 19 de abril de 2010

terça-feira, 13 de abril de 2010

O Anibal leitor

Por momentos pensei que o título fosse uma piada a um certo Aníbal português, que aparentemente não lê muita literatura.
Afinal não, o livro é uma lição de como ler, o que ler e de como nos prepararmos para a leitura.
Um jovem acaba num navio em busca de um animal lendário, que lê livros - para sinopse acho que chega.
Gostei, acho que tem mais literatura dentro do que algumas das cadeiras que tive com o autor, na faculdade, mas é somente a minha opinião, e a posição dele aqui é ligeiramente distinta.
De qualquer modo, gostei mais (heresia?!) do posfácio, gostei do estilo, do conteúdo e dos pensamentos do escritor.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Pombo & Silva

De há uns tempos para cá, ando a tentar dedicar mais tempo a escrever realmente alguma coisita.
Está disponível no Breves Narrativas, uma pequena brincadeira semi, semi mesmo, policial.  O objectivo é servir somente como intróito, espera-se que apareçam mais aventuras destes dois.

Os homens que Odeiam as Mulheres - o filme



Vimos esta semana a versão cinematográfica do filme de Stieg Larsson.
A esposa gostou, eu também. Ela gostou tanto, ou tão pouco, que me fez esticar a coluna em busca do livro na estante, depois de eu lhe dizer que o livro era melhor, ainda que mais forte.
O filme não é mau, mas torna-se difícil dizer algo construído a partir de um livro que gostei tanto. Algumas personagens foram ao ar, mantiveram as centrais. As cenas mais brutais do livro mantêm a sua brutalidade no grande, e pequeno, ecrã. O livro é rápido, voraz, cru, seco e violento. O filme é mais lento, mas igualmente negro, seco, violento.
Lisbeth é mais bonita do que imaginava. Blomkvist é menos belo do que imaginara, o que o leva, supostamente, a vaguear menos por camas alheias. O que no livro é dado como dado adquirido, no filme é subjectivado.
Ainda assim, foram duas hora e meia que valeram a pena.
O filme foi uma oferta de aniversário da Sara, a edição é a edição especial, que deve a sua nomenclatura aparentemente por um único extra, um documentário de cerca de uma hora sobre a criação dos romances. Pouco, muito pouco. Infelizmente.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Depois de trocar uns comentários com uma das manas da afilhada/madrinha estou com mais vontade de aprender sueco.
Duvido destas coisas, mas será que isto, isto, isto ou isto me podem dar algumas luzes? Hum.....

Policiais Nórdicos

Nos últimos meses tem sido complicado ler livros que não tenham a ver com a tese. Deruçado sobre pirataria, inovações tecnológicas, novas formas de negócio e musica 2.0, tenho tido dificuldades acrescidas para manter interesse moderado por outras literaturas.
A semana passada levei 8 ou 9 livros (claro!) e consegui ler dois deles.
Recaí novamente na ficção policial nórdica, com The Redbreast de Jo Nesbo e The Stone Cutter de Camilla Lackberg.
Comecemos por este último. Tinha lido e gostado bastante do primeiro livro da série, The Ice Princess. The Stone Cutter volta a ser protagonizado pelo polícia Patrik Hedstrom, agora com uma filha pequena, Maja, fruto do relacionamento com Erica Falck, personagem quase principal de The Ice Princess.
Alguns dos pontos fortes de The Stone Cutter é a descrição da depressão pós-parto e das mudanças que um bebé provoca num lar. Sendo sincero, a grande qualidade de Lackberg neste livro é a descrição psicológica das personagens.
A história resume-se brevemente. Uma criança é encontrada morta, afogada, mas o suposto acidente cedo se revela um crime. A miúda tem água doce nos pulmões, bem como resquícios de cinzas. Hedstrom toma o caso em mãos, aliviado por poder passar algum tempo fora de casa, mas vai-se tornando pessoal, já que a criança é filha de uma amiga de Erica.

O livro aborda um sem número de questões de uma forma extremamente interessante, Síndrome de Asperger, pedofilia, pornografia infantil (estes últimos são abordados, mas não têm papel relevante no caso da menina morta), rivalidades entre vizinhos, patologias várias e conflitos familiares.
Uma pequena cidade, ou um dos bairros, pelo menos, é extremamente bem descrita.

Há uma história parelela que começa em 1923 e que, obviamente, terá efeitos no deslindar do caso.

O livro está muito bem escrito, envolve e mexe com o leitor, as descrições dos pequenos feudos, a psicologia dos diferentes intervenientes incomodam-no e mostram uma rara variedade de disposições mentais na literatura actual. Estamos perante pessoas distintas, que reagem de diferentes formas às mesmas situações.

Infelizmente, não gostei muito do final. Senti-me ligeiramente decepcionado, quiçá pelo negríssimo quadro pintado por Lackberg. Inevitável é a comparação com o outrolivro lido, que me agradou mais.
Outra das razões terá a ver com a história paralela, The Redbreast, de Nesbo, também faz uso da mesma técnica, e interessantemente, ou não, há outras semelhanças entre as duas narrativas, nenhuma ao nível da história.

Em The Redbreast, acompanhamos Harry Hole, polícia de Oslo, com problemas de alcoolismo. O livro tem um sentido de humor negro, fino e cáustico. O livro começa com Harry Hole a ser promovido depois de ter morto alguém erroneamente. A promoção leva-o a monitorizar actividades neo-nazis.
Hole é uma personagem mais negra de Wallander, mais predisposto para cair no vazio, no álcool, sem que se veja, muitas das vezes, luz ao fundo do túnel.
Como dizia atrás, há outra história paralela, que é a de um grupo de soldados noruegueses durante a 2ª Guerra Mundial, lutando lado a lado com a forças alemãs.
The Redbreast trata do passado e presente da Noruega no que à 2ª Guerra Mundial e ao nazismo diz respeito.
Através da sua investigação, Hole depara-se com a compra por parte de um grupo de Neo-nazis de uma arma, uma espingarda  Märklin, que deixa um buraco enorme no corpo atingido. Hole vai tentar descobrir quem comprou a arma e com que intuitos.
NEsbo é um excelente escritor e consegue ao longo das 500 páginas agarrar o leitor, o humor ajuda. A moralidade ambígua é uma das temáticas, directa e indirectamente, tratadas no romance.
As personagens são suficientemente tridimensionais para serem credíveis e como numa boa série de televisão, Nesbo não amarra todas as pontas no final do livro, no futuro haverá consequências para alguns dos actos descritos.
Há vários pontos de contacto com outros escritores e universos escandinavos, lembrei-me de Lackberg (os estilos e a forma são completamente distintos), de Mankell (Nesbo consegue ser mais cruel, negro e cínico), de Stieg Larson (no relacionamento de alguns homens com as mulheres).
O final também me desiludiu um pouco, mas enquanto conjunto é mais interessante e menos murro no estomago que o romance de Lackberg, ainda que haja muitos pontos de contacto entre os criminosos de ambos os livros, e ambos vêm de trás, da história que nos é contada em paralelo.
Resumindo, o livro que se segue na série de Nesbo já está a caminho, Lackberg fica para mais tarde.

Como bónus, carreguem aqui para ouvir o autor a falar sobre o livro.