quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Quem me conhece bem sabe como sou despistado. Há por aqui um café onde já fui buscar chapéus, carteira, telemóveis, livros, revistas, etc. De momento estou sem telemóvel, onde está? Não sei, em local ignoto.

Daí que quando começa a chover me lembro dos chapéus de chuva, que não uso para aí desde os 14/15 anos, chapéus que tinha, em média, menos de uma semana na minha posse. Ficavam no autocarro, na sala de aulas, no café, no recreio, sei lá, ficavam por onde quer que parasse.
A verdade é que quando mudei para o Seixal deixei de usar chapéus de chuva, o que pode ser estranho, já que foi a altura em que comecei a ir a pé para a escola. Molhas? Algumas. Constipações? Nem vê-las.
E o hábito tornou-se realidade. Não gosto de chapéus, não lhes dou uso e gosto tanto, tanto de sentir a chuva.
Manias, enfim.

Da morte iminente deste blog e dos estertores que vai dando

C´um camandro, se isto não está morto, parece. Assim como o nosso país, que ainda esta semana se engalanou, para nos convencer que não se está a afundar. A verdade é que não tenho visto ratos, se isto quer dizer que eles já fugiram ou que vivo em zonas demasiado limpas, não sei.

Tenho passeado pouco pelas ruas dos blogs, a tese e o trabalho têm-me tirado vontade, de escrever algo que não tenha a ver com música e internet e os hábitos quotidianos, que se vão alterando, ignoram os blogs, posts alheios. Até a esposa me acusa, "não vais ao meu blog!". E eu bem que tento desculpar-me, "não vou a blog nenhum". Salva-se, ou culpa-se, o Facebook, vício diário, ou quase, obviamente interessante para alguém que tenta escrever breves narrativas. A diminuta extensão dos textos é uma boa desculpa para me manter vivo, ainda que só naquele serviço.

Mas aqui e acolá, vou lendo um ou outro post, um ou outro autor, invejoso da qualidade de alguns, mais invejoso da quantidade de textos que alguns vão colocando, online.
Alguns dos autores preferidos vão ficando para trás, esperançado de os poder apanhar e acompanhar num futuro próximo, ansiando por cumprir o prazo de entrega, ansiando por uma palavra do orientador, ansiando por momentos de libertação física e psicológica.

É triste não ter tempo ou vontade de acompanhar aqueles que durante algum tempo me fizeram companhia, de poder escolher o que leio e ter tempo para ler, para estar com ela.

Alguém cantava, oh tempo volta para trás, eu quero é que o tempo avance, rapidamente e que me dê um pouco de si. Só isso já seria bom.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Há coisas que me irritam solenemente. Demoraria muito tempo a enumerá-las, muito por culpa da fraca memória. Fiquemo-nos por uma. Há um produto qualquer (livro, filme, álbum, etc) que tem sucesso. Os autores de outros produtos similares, ou nem tanto, são logo apelidados como o próximo qualquer coisa.
Andava agora a ver se comprava para as férias o livro de Jo Nesbo que me falta. Uma das capas que vi na Amazon, dizia "O próximo Stieg Larson". Porquê? Porque é nórdico? Estamos a comparar dois autores de talento, mas completamente diferentes. Ok, os livros de ambos têm um ritmo alucinante, há violência a rodos, normalmente, mas não só, contra mulheres. Mas só...
Eu não preciso que me vendam Nesbo, mas quando o comparam com Larson a única vontade que tenho é de bater na mente iluminada que se lembrou disso.

terça-feira, 20 de julho de 2010

O Caso Jane Eyre

E quando um livro foge daquilo que esperamos? E então?
Pelo que lera e me tinham dito esperava que O Caso Jane Eyre de Jasper Fforde fosse mais situado na trama do que é, o que convenhamos não é mau.
Somos introduzidos a um Reino Unido diferente do que estamos habituados, ou melhor, estamos num universo alternativo, em que algumas coisas se parecem com o que conhecemos e outras não. A guerra da Crimeia, por exemplo, ainda subsiste e tem papel importante na acção.
Há um sem número de Departamentos dentro da Rede de Operações Especiais, sendo que desconhecemos o que faz a maior parte deles. Quinta-Feira Seguinte é a heroína, pertence ao OE - 27 (Detectives Literários) e vai tentar impedir que o livro de Jane Eyre seja reescrito como o conhecemos.

É esta, sumariamente, a trama, sumariamente e de uma forma bacoca e simples. Muito mais acontece, gente que viaja no tempo, traças que criam coisas ou ajudam pessoas a entrar em livros.

Há pouco escrevia no Facebook que não sabia se tinha gostado muito ou pouco, sei que gostei, talvez porque por uma das descrições tivesse imaginado algo completamente diferente e porque estou à espera de ler os seguintes para formar uma opinião mais coerente.

Aquilo que fica por enquanto é o amor pela literatura e o gosto de imaginar a história e os finais de algumas obras. A oportunidade de discutir a literatura, amarrada quase por completo (a discussão) nas salas de aulas das universidades. A incompreensão pelo final  (as opções do autor) de determinada obra e a oportunidade de o leitor ir reescrevendo a seu bel-prazer aquilo que lê.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Há imensas formas de começar um texto. Alguns exemplos.

Vejo futebol cada vez menos. Sem vontade de pagar 25 Euros mensais por um pack de canais desportivos, quedo-me pelos jogos que vão dando na televisão pública. As arbitragens não ajudam, as fracas prestações do meu clube o ano passado também não. 

Vejo cada vez mais futebol, mas futebol americano. Sim, a transmissão chega a demorar mais de três horas, mas normalmente gravo e vejo os jogos depois. Parece-me um jogo mais justo, há câmaras, há repetições, mas não são feitas a eito. Há contacto físico, os tipos chocam uns contra os outros, mas continuam de pé, alguns. Fartei-me de ver gente caída no chão depois de um sopro à espera que o árbitro mostre um cartão.

Desconfio de treinadores que têm como primeiro nome o título de Professor. Fiquem vocês com o Professor Queiroz e o Professor Jesualdo. Gente que fala muito, característica própria de um professor (sei por experiência própria), mas que falha no momento de acertar. Gente que em vez de ter jogadores para determinada posição faz adaptações,  de repente e ostracizam aqueles que falham. Gente que parece que só teve aulas de defesa, o objectivo das suas equipas é não sofrer, ou sofrer poucos, golos. Esquecem-se que o jogo ganha-se marcando golos. Gente que quando acerta, esquece.

Não gostava de Scolari, perdão, não gosto de Scolari. Como também não gosto de Queiroz. E evito fazer comparações. Queiroz foi para a África do Sul querendo imitar Mourinho, coitado. Defendeu-se em todos os jogos, menos contra a Coreia do Sul. Portugal fez um dos melhores jogos dos últimos 4/5 anos. Podem dizer que a Coreia era uma equipa fraca, concordo, mas jogámos contra outras equipas fracas, nesse período,  e não fizemos nada parecido.
Empatámos (não em termos de resultado, mas em termos exibicionais) contra a Coreia, contra o Brasil e afogámo-nos contra a Espanha, porque simplesmente não jogámos à bola. Um treinador que se gaba de ter treinado Ronaldo dia e noite, durante três ou quatro anos, devia saber onde, como e de que forma ele rende mais. Mas não! Um treinador devia levar e meter um trinco, não o Pepe, com seis meses de paragem e que é, para mim, um central interessante, mas um trinco fraquinho.

Queiroz gaba-se de ter perdido por um só golo contra a Espanha. Um treinador que diz isto, com a equipa que tem e jogando como Portugal jogou devia levar uma carga de porrada. Como Jesualdo, fala muito, a sua equipa é sempre a melhor, mas dentro de campo acobarda-se, tem medo, não joga nada.

A vitória contra a Coreia foi a única coisa positiva deste Portugal. Mas nem na vitória Queiroz soube aproveitar a equipa. Inventou contra o Brasil, continuou a senda contra a Espanha.
Infelizmente, acha que fez um trabalho meritório.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Lost - Seis anos depois

Spoiler Alert

O texto que se segue pode desvendar alguns dos mistérios ou factos que aconteceram ao longo das séries, se te queres guardar para ver tudo sem saber parte da verdade, não leias.

Spoiler Alert

Lost terminou no Domingo, ou na madrugada de 2ª Feira, como preferirem e dependendo do país em que viram este último episódio.

Em primeiro lugar, quero explicar o meu relacionamento com a série. Tornei-me fã na primeira season da série, perdi um pouco o interesse na segunda e deixei de a ver ao 6 episódio da 3ª. Vi um resumo da 3ª season e recomecei a ver a série ao 5 episódio da 4ª e de lá para cá não deixei de a seguir fielmente. A razão do semi-abandono foi a sensação da série não avançar, durante alguns episódios achava que somente os últimos 5 minutos da série interessavam realmente.

No entanto, os produtores nunca mentiram, para eles, e para nós, quer queiramos ou não, o que interessa, o cerne da questão é a viagem. It's not about the destination, it's about the journey. Miguel Esteves Cardoso, ontem no i, reclamava que Lost era uma história mal contada, consigo perceber a crítica, mas penso que o objectivo da Lost nunca foi contar uma história, foi contar várias, a nossa interpretação do que era a história estava errada, com o último episódio percebemos o tema de Lost e todo o tempo perdido com as histórias pessoais de cada uma das personagens.

Claro que nos podemos queixar das perguntas que ficam sem resposta, mas se por um lado, as questões levantadas ao longo das seasons eram uma maneira de nos obrigar a ver a série, por outro, somos impelidos a encontrar explicações. Lost nunca tentou explicar tudo, talvez por isso, tenha tido sucesso. É irónico que seja uma série de televisão que nos ponha a pensar em questões filosóficas, religiosas, entre outras.
Lost obrigou os fãs a envolverem-se em debates sobre aquilo que tinham visto e fê-lo como poucas o conseguiram ou conseguirão fazer.

Lost trouxe novas formas de contar histórias à televisão, começámos com os flashbacks, passámos para os flashforwards, depois para as viagens no tempo e terminámos com algo que parecia uma realidade alternativa.
Acrescente-se a isto os mistérios, respondidos ou não, os avanços e recuos na história principal, e parece que o maior desafio seria criar a partir de todos estes artifícios um objecto único e coeso. Desafio, para mim, cumprido.

O que é a ilha? O que é a luz amarela? Porque é que a ilha é importante para o resto do mundo/universo? Se for destruída, todo o mundo perece com ela, porquê? Estas são algumas das perguntas não respondidas.
Lost deixa imensas dúvidas, questões não respondidas, mas a viagem dependia delas, foram as questões que nos levaram a ver semana após semana, season após season a série. Depois de ver o último episódio, fica-se com uma noção de conjunto, que agradará mais a uns do que a outros, mas ficamos com a sensação de que aquelas histórias terminaram, mas as questões mantêm-se. Isso é mau? Quantas perguntas não respondidas ou respostas não ideiais deixamos atrás de nós? Conseguimos responder a todas as questões? Quantas considerações vamos criando, quantas realidades, ao longo do nosso percurso. As nossas dúvidas eram as dúvidas das personagens, o problema é que com o final elas recebem mais respostas do que nós.

Lost termina numa igreja, que por acaso tem uma míriade de símbolos religiosos, não necessariamente cristãos, há uma tentativa de colocar ali não uma, mas várias religiões, dando a ideia de que estamos perante o depois da morte, ideia concretizada com os últimos minutos e a última cena na igreja. O final de Lost é a vida eterna, no céu ou não.

“Guys, where are we?”, pergunta Dominic Monaghan ou Charlie no primeiro episódio.
Nunca saberemos concretamente o que era a ilha, pelo menos com base nestas 6 épocas, mas o que ali fizeram, o que ali lhes aconteceu teve um papel preponderante no seu futuro "eterno". A ilha sempre foi um motivo, não um mistério, um motivo para desenvolver a História, um motivo para prender o espectador.
Quando encontramos Jack na igreja todos já estão mortos, já estão no depois da morte. Jack conversa com o seu pai:

Jack: Where are we, Dad?
Christian: This is the place that you all made together so that you could find one another. The most important part of your life was the time you that spent with these people. That’s why all of you are here. Nobody does it alone, Jack. You needed all of them. And they needed you.
Jack: For what?
Christian: To remember. And to let go.
Jack: Kate ... she said we were leaving.
Christian: Not leaving, no. Moving on.

O sub-texto é delicioso, os autores da série estão-nos a dar dois conselhos, Remember and let go e Moving on; mas a mensagem imediata para Jack é que todos estão mortos, noutra frase de Christian a Jack somos informados que alguns morreram antes de Jack, outros depois de Jack.
Todos ou quase todos os personagens tinham "pecados" por expiar, não eram perfeitos. Kate tinha morto a sua melhor amiga, Jack tinha falhado no seu casamento, Sayid não consegue ultrapassar a tortura infligida a prisioneiros de guerra, etc. As personagens que ali se encontram tentam redimir-se (inconscientemente) ou pelo menos têm uma oportunidade última para o fazer e fazem-no em conjunto, com mais ou menos conflitos, com diversos inimigos, de diferentes naturezas - humanos, outros que ali estão há mais tempo e o falso Locke, inimigo (quase) mitológico, inimigo sobrenatural.

No último episódio, mas também ao longo das diferentes seasons, encontramos o perdão como tema, neste último episódio é Ben que pede desculpa a Locke, mas ainda que perdoado, não se sente preparado para estar com os restantes membros.
Percebe-se que muitas das nossas questões (iniciais ou finais), a ilha, o urso, o monstro de fumo, as viagens no tempo foram veículos para explorar a condição humana. Terá sido o purgatório aquilo a que assistimos? Essencialmente assistimos a homens e mulheres viverem uma série de aventuras e desventuras buscando a redenção, baseadas nas realidades da condição humana: vida, morte e vida eterna. Ou o purgatório terá sido a realidade alternativa desta 6ª season? São dúvidas e questões em aberto, que ficam para depois, a edição em dvd traz mais 20 minutos com a promessa de responder a algumas questões.

Lost termina em beleza, criando um final coeso e unificador, ainda que não desvendando todas as questões essenciais para cada um de nós. Lost termina mostrando o valor da amizade, do sacrifício e da unidade.
Quanto a vocês, não sei, mas eu gostei bastante.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Tentando escolher tshirts pró verão

A todos os que gostaram da minha t-shirt no sábado, procurem aqui.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Avulsos

Vou sair agora da Escola, a ler material para um trabalho que também será sobre criatividade. Pelo menos o tema tem-me deixado desperto. Ficava aqui mais uma ou duas horas, estou com pica, mas quedo-me. Espero que a vontade que agora tenho fique suspensa até amanhã.

Abri o site da Bola e vi uma frase do ou sobre o Paulo Bento, com FCPorto em cima, no canto esquerdo. Acho que deve ser a escolha de Pinto da Costa, mas parece-me que será outro Jesualdo (embirra com jogadores, só tem um esquema táctico, fala demais. Se for ele, o que fará ele com Varela? Colocará Rolando à esquerda, ou Fernando? Parece-me que cada vez mais fico órfão do futebol americano, mas esse só começa depois do verão e em Fevereiro termina!!!).

Puseram-me a dar prémios no Sábado, a mim, que pouco jeito tenho para aquelas coisas, a mim que preciso de pensar e preparar discursos. Pelo menos, não implodi com a coisa.

A semana está no início, mas tenho de preparar testes, trabalho e tese para o mestrado, reunião para sábado e já comecei com outras ideias para outros projectos.

Vou-me... até logo.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

terça-feira, 13 de abril de 2010

O Anibal leitor

Por momentos pensei que o título fosse uma piada a um certo Aníbal português, que aparentemente não lê muita literatura.
Afinal não, o livro é uma lição de como ler, o que ler e de como nos prepararmos para a leitura.
Um jovem acaba num navio em busca de um animal lendário, que lê livros - para sinopse acho que chega.
Gostei, acho que tem mais literatura dentro do que algumas das cadeiras que tive com o autor, na faculdade, mas é somente a minha opinião, e a posição dele aqui é ligeiramente distinta.
De qualquer modo, gostei mais (heresia?!) do posfácio, gostei do estilo, do conteúdo e dos pensamentos do escritor.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Pombo & Silva

De há uns tempos para cá, ando a tentar dedicar mais tempo a escrever realmente alguma coisita.
Está disponível no Breves Narrativas, uma pequena brincadeira semi, semi mesmo, policial.  O objectivo é servir somente como intróito, espera-se que apareçam mais aventuras destes dois.

Os homens que Odeiam as Mulheres - o filme



Vimos esta semana a versão cinematográfica do filme de Stieg Larsson.
A esposa gostou, eu também. Ela gostou tanto, ou tão pouco, que me fez esticar a coluna em busca do livro na estante, depois de eu lhe dizer que o livro era melhor, ainda que mais forte.
O filme não é mau, mas torna-se difícil dizer algo construído a partir de um livro que gostei tanto. Algumas personagens foram ao ar, mantiveram as centrais. As cenas mais brutais do livro mantêm a sua brutalidade no grande, e pequeno, ecrã. O livro é rápido, voraz, cru, seco e violento. O filme é mais lento, mas igualmente negro, seco, violento.
Lisbeth é mais bonita do que imaginava. Blomkvist é menos belo do que imaginara, o que o leva, supostamente, a vaguear menos por camas alheias. O que no livro é dado como dado adquirido, no filme é subjectivado.
Ainda assim, foram duas hora e meia que valeram a pena.
O filme foi uma oferta de aniversário da Sara, a edição é a edição especial, que deve a sua nomenclatura aparentemente por um único extra, um documentário de cerca de uma hora sobre a criação dos romances. Pouco, muito pouco. Infelizmente.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Depois de trocar uns comentários com uma das manas da afilhada/madrinha estou com mais vontade de aprender sueco.
Duvido destas coisas, mas será que isto, isto, isto ou isto me podem dar algumas luzes? Hum.....

Policiais Nórdicos

Nos últimos meses tem sido complicado ler livros que não tenham a ver com a tese. Deruçado sobre pirataria, inovações tecnológicas, novas formas de negócio e musica 2.0, tenho tido dificuldades acrescidas para manter interesse moderado por outras literaturas.
A semana passada levei 8 ou 9 livros (claro!) e consegui ler dois deles.
Recaí novamente na ficção policial nórdica, com The Redbreast de Jo Nesbo e The Stone Cutter de Camilla Lackberg.
Comecemos por este último. Tinha lido e gostado bastante do primeiro livro da série, The Ice Princess. The Stone Cutter volta a ser protagonizado pelo polícia Patrik Hedstrom, agora com uma filha pequena, Maja, fruto do relacionamento com Erica Falck, personagem quase principal de The Ice Princess.
Alguns dos pontos fortes de The Stone Cutter é a descrição da depressão pós-parto e das mudanças que um bebé provoca num lar. Sendo sincero, a grande qualidade de Lackberg neste livro é a descrição psicológica das personagens.
A história resume-se brevemente. Uma criança é encontrada morta, afogada, mas o suposto acidente cedo se revela um crime. A miúda tem água doce nos pulmões, bem como resquícios de cinzas. Hedstrom toma o caso em mãos, aliviado por poder passar algum tempo fora de casa, mas vai-se tornando pessoal, já que a criança é filha de uma amiga de Erica.

O livro aborda um sem número de questões de uma forma extremamente interessante, Síndrome de Asperger, pedofilia, pornografia infantil (estes últimos são abordados, mas não têm papel relevante no caso da menina morta), rivalidades entre vizinhos, patologias várias e conflitos familiares.
Uma pequena cidade, ou um dos bairros, pelo menos, é extremamente bem descrita.

Há uma história parelela que começa em 1923 e que, obviamente, terá efeitos no deslindar do caso.

O livro está muito bem escrito, envolve e mexe com o leitor, as descrições dos pequenos feudos, a psicologia dos diferentes intervenientes incomodam-no e mostram uma rara variedade de disposições mentais na literatura actual. Estamos perante pessoas distintas, que reagem de diferentes formas às mesmas situações.

Infelizmente, não gostei muito do final. Senti-me ligeiramente decepcionado, quiçá pelo negríssimo quadro pintado por Lackberg. Inevitável é a comparação com o outrolivro lido, que me agradou mais.
Outra das razões terá a ver com a história paralela, The Redbreast, de Nesbo, também faz uso da mesma técnica, e interessantemente, ou não, há outras semelhanças entre as duas narrativas, nenhuma ao nível da história.

Em The Redbreast, acompanhamos Harry Hole, polícia de Oslo, com problemas de alcoolismo. O livro tem um sentido de humor negro, fino e cáustico. O livro começa com Harry Hole a ser promovido depois de ter morto alguém erroneamente. A promoção leva-o a monitorizar actividades neo-nazis.
Hole é uma personagem mais negra de Wallander, mais predisposto para cair no vazio, no álcool, sem que se veja, muitas das vezes, luz ao fundo do túnel.
Como dizia atrás, há outra história paralela, que é a de um grupo de soldados noruegueses durante a 2ª Guerra Mundial, lutando lado a lado com a forças alemãs.
The Redbreast trata do passado e presente da Noruega no que à 2ª Guerra Mundial e ao nazismo diz respeito.
Através da sua investigação, Hole depara-se com a compra por parte de um grupo de Neo-nazis de uma arma, uma espingarda  Märklin, que deixa um buraco enorme no corpo atingido. Hole vai tentar descobrir quem comprou a arma e com que intuitos.
NEsbo é um excelente escritor e consegue ao longo das 500 páginas agarrar o leitor, o humor ajuda. A moralidade ambígua é uma das temáticas, directa e indirectamente, tratadas no romance.
As personagens são suficientemente tridimensionais para serem credíveis e como numa boa série de televisão, Nesbo não amarra todas as pontas no final do livro, no futuro haverá consequências para alguns dos actos descritos.
Há vários pontos de contacto com outros escritores e universos escandinavos, lembrei-me de Lackberg (os estilos e a forma são completamente distintos), de Mankell (Nesbo consegue ser mais cruel, negro e cínico), de Stieg Larson (no relacionamento de alguns homens com as mulheres).
O final também me desiludiu um pouco, mas enquanto conjunto é mais interessante e menos murro no estomago que o romance de Lackberg, ainda que haja muitos pontos de contacto entre os criminosos de ambos os livros, e ambos vêm de trás, da história que nos é contada em paralelo.
Resumindo, o livro que se segue na série de Nesbo já está a caminho, Lackberg fica para mais tarde.

Como bónus, carreguem aqui para ouvir o autor a falar sobre o livro.

sexta-feira, 26 de março de 2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

Festival da Canção - a homenagem que mata

A homenagem que mata o homenageado (de coração), o artista (ai, minha mãe) e as hipóteses de vencer qualquer coisa. Quê que foi isto?

Ora, eu até ando com um cd ao vivo do José Cid no carro, mas não sabia se havia de rir, ir à casa de banho ou chamar o psicólogo.

A letra é sublime, duvidam?
"Encontrei-te por acaso, numa rua da cidade, nosso olhar quando cruzado, foi logo de cumplicidade, foram dias, foram meses, foram horas a sonhar, eu confesso que por vezes muito mais para acreditar (...) fui para ti mais um passatempo. Desaparece da minha vida, não aguento nem mais um dia, antes quero solidão que viver na humilhação (...) mas o meu amor por ti, continua a crescer".

Na melhor das hipóteses, bipolar, não?
Claro que a inspiração deve vir quase toda de O Melhor Tempo da Minha Vida: "Foi só por curiosidade Que tu estendeste a mão, Foi só mais uma aventura, Do teu ego sem paixão. Eu que fui todo ternura, Que fui todo o coração, Tarde de mais compreendi Qual a tua intenção...
 E no entanto obrigado, obrigado para sempre. Pois por mais tempo que eu viva, Eu nunca vou esquecer Que tu mesmo, sem querer, Me vieste oferecer O melhor tempo da minha vida, o melhor tempo da minha vida, o melhor tempo da minha vida...
Os meus amigos de sempre, Vieram-me avisar Para ter cuidado contigo, Que mais tarde ia chorar. Só que eu dei tudo por tudo, Julguei que tu poderias Amar alguém que te amasse, Que te modificarias."

Fica a homenagem e o estilo do cantor, que mais do que ninguém me parece acreditar no que canta, convicto, mais do que quando diz que quem não arrisca, não.........petisca.







Portanto, duas músicas, uma canção à Cid (pois, pois. Todos podem querer, mas nem todos as sabem  fazer) e a vencedora, um rip of da Disney. Mas há mais, amanhã, provavelmente.

DUDE, finally

Ele é GRANDE

Festival da Canção - A vencedora

Ah!, o Festival da Canção. Derreado com uma dor nas costas, que me moeu todo o fim-de-semana e continua hoje, fui ouvindo o anteriormente Acontecimento da TV portuguesa. Confesso que aquilo me fez bastante confusão, quase todas as músicas pareciam homenagens a artistas/canções/estilos mais ou menos conhecidos, mas em mau. Irritante, também foi o facto de ver que todos os cabelos e vestidos ondolavam ao sabor do vento, e as cores que apareciam nos ecrãs lá atrás eram dignas de nos levar hoje ao oftalmologista.
Bonito, bonito, foi ver a vencedora agradecer a vitória ao som de um coral de assobios.
Mas sobre as músicas (querendo a sorte, todas) falaremos ao longo desta semana.

Comecemos pela vencedora.


No início parece ser outra coisa, mas quando chega ao refrão é impossível não pensar na Banda Sonora do Aladino da Disney.  Não consigo ouvir a canção vencedora sem me lembrar do Aladino, e tem tudo para ir a andar no Eurofestival. Depois queixam-se que os Lordi ganharam há uns aninhos. Pode-se não gostar da letra, do estilo e da caracterização, mas é muito melhor do que esta coisita.

Mayer no Rock in Rio

Há por aí um livro interessantíssimo, que mostra que nem todos os grandes artistas foram grandes Homens (neste dia, parece-me de bom tom escrever também Mulheres), chama-se Intelectuais.
Tenho, pelo menos, dois amigos (cunhado incluído) que veneram a música de um senhor chamado John Mayer. Se John Mayer tosse, acredito que eles vão comprar um remédio à farmácia e enviam por correio.
A semana passada começaram nas invectivas para com a organização do Rock in Rio, tudo porque parece que no dia de John Mayer tocam Ivette Sangalo e Shakira. O que me parece que não terá passado pela mente destes dois fãs é que o cartaz desse dia pode ter sido resultado de duas ou três coisas: uma homenagem da organização a John Mayer, um pedido de John Mayer ou uma forma de o convencer a vir ao Rock in Rio. Já explico as razões da minha teoria.
Antes, somente, realçar uma realidade, muitas das vezes os fãs de determinado artista ignoram as convicções religiosas, políticas, sociais e outras do mesmo, ou até os hábitos da criatura.
As hipóteses avançadas atrás têm como base uma entrevista do artista à Playboy americana, que deu, como seria de esperar, celeuma.

Deixo aqui algumas passagens, sem me dar ao trabalho de as comentar.

"there have probably been days when I saw 300 vaginas before I got out of bed," (falando de pornografia online).

"When I watch porn, if it's not hot enough, I'll make up backstories in my mind. My biggest dream is to write pornography."

A entrevista (talvez por ser para a Playboy) versou sobre as ex-namoradas, causou celeuma por Mayer usar a palavra nigger e apelidar o seu pénis de supremacista branco, etc, etc, etc.

Por tudo isto, parece-me que Mayer deve ter ficado agradado com o cartaz do Rock in Rio, mas se calhar sou só eu que sou mauzinho.

sábado, 6 de março de 2010

Estou na Escola, para ler material para a tese. Cheguei com um saco de documentos, artigos principalmente, sobre a temática. Ficaram 45€ na loja de fotocópias. Por estas e por outras, vou namorar o Kindle.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Ando no carro com os Diabo na Cruz. À primeira audição fiquei desconfiado, gostei de três músicas. Algumas soavam mais pesadas do que esperava, ainda para mais depois do início com Vitorino. Obriguei-me a ouvir mais umas quantas vezes.
Gosto, ainda que ache o álbum desequilibrado. Tenho alguma dificuldade com algumas letras, que me fazem pouco sentido, mas a verdade é que o álbum tem sido companhia útil nestes últimos tempos.
Ontem, vi publicidade na tv. Mais uma acha para a tese:p

quarta-feira, 3 de março de 2010

Depois de ver o segundo Sinais de Fogo, fiquei com algumas dúvidas.

Tudo o que não faz sentido a Sousa Tavares é mentira? Os crimes têm de ser lógicos? A realidade tem de ser lógica?

Sousa Tavares só ataca quem não respeita ou não admira? Gostava de ter visto aquela "acutilância"/ agressividade a semana passada.

Para quê convidar alguém para uma entrevista, se o objectivo é que a pessoa ouça a voz de Miguel Sousa Tavares? A primeira parte do programa é ridícula. Sousa Tavares cansou-se de comentar o que queriam que ele comentasse, agora comenta o que ele quer - as peças são tão fraquinhas!!!

Espero que depois dos Sinais, o programa arda por completo, por este andar, não deve demorar muito.

37

Vimos lá por casa o primeiro episódio da mini-série policial da TVI, 37. A série tem algumas caras conhecidas da televisão portuguesa, entre elas, as de Sofia Alves, Pedro Granger e João Reis e promete muito mistério, mortes e a busca, por parte do espectador, de um serial killer.
O problema é que entre o prometer e o cumprir vai uma distância do caraças.

Vamos por partes.
A história conta o regresso de Helena, dos Estados Unidos, para trabalhar com autistas, num pólo universitário. O seu regresso anima as hostes. O ex-namorado volta a sentir aquele fogo que arde sem se ver e termina com a noiva, que é encontrada morta, e a reitora faz-se ao bife luso-americano, como se não houvesse amanhã (os olhos da reitora, meu Deus, os olhos da reitora - então ninguém pensou na actriz para Destino Imortal?). Uns dias depois, uma das monitoras dos autistas é encontrada igualmente morta. Pedro Granger "faz" de advogado, com um irmão autista. João Reis faz de inspector da Polícia que tem um filho, se disseram autista adivinharam.
As duas vítimas, até ao momento, foram encontradas à porta do edifício principal da Universidade, estranguladas, nuas, mas tapadas com uma capa de traje académico (não consta que nenhum dos membros da AE tenha sido convocado pela PJ!).

Há duas coisas que me fascinam neste primeiro episódio, vá, quatro.
1."Riscados" é a palavra que mais se ouve, dita pelos dois jovens autistas. Terá, obviamente, papel no desenrolar futuro, mas ainda ninguém deu pela importância desta pista (quem é que dá importância a autistas? Nesta série, ninguém. Granger passa a mão pela cabeça do irmão umas 40 vezes (razão suficiente para transformar alguém em Serial Killer) e João Reis deixa o filho sozinho, sem supervisão, na esquadra.)
2.A lésbica agressiva (reitora) ou, caso não seja lésbica, a tipa que quer ser tão amiga e fofinha que passa facilmente por stalker.
3.Helena que cada vez que resiste às investidas da reitora toma banho. Embora também tome banho noutras circunstâncias. Nunca uma personagem tomou tanto banho em tão pouco tempo. Mas o que adorei mesmo foram as duas ou três cenas em que a reitora apareceu e a desculpa que Helena dava era "Agora não dá, vá-se lá embora, que vou tomar uma banhoca."
4.Granger é tão mau actor que até enerva. Aliás, as performances são fraquinhas, irritantes e pouco naturais. Quando são informados sobre a morte de alguém, as personagens agem quase naturalmente, somente a voz mostra que estão chocadas. Ao pé desta gente, a actriz de Lua Vermelha que é perseguida pelo namorado merecia um Óscar.
 

Resumindo, banhocas, muitas banhocas transformam este primeiro episódio numa autêntica banhada. A série não convenceu propriamente, passei praticamente o episódio inteiro a fazer piadas com os diálogos, que são fracos, deprimentes e dignos de uma peça da preparatória.
Sinceramente...
Estando a dar aulas numa Escola de Engenharia custa-me dizer isto, mas prefiro engenheiros a professores, mesmo escrevendo contra a minha pessoa.
Meia semana depois, parece-me oportuno escrever sobre a conclusão de Jesualdo Ferreira, "A equipa perdeu bem".
Parece-me a mim que nenhum treinador devia dizer estas palavras. A equipa jogou mal, foi uma pálida versão do que devia ter sido, logo a conclusão devia ter sido oposta à formulada, a equipa perdeu mal. Não se encontrou, foi uma nulidade.
Aqueles com quem falo sabem duas coisas, nunca gostei de Jesualdo e nunca embandeirei em arco com aqueles que diziam que o Porto vinha a crescer. Sempre achei que vinha a ganhar (contra factos, não há argumentos), mas sem grande mérito. Vi poucos jogos bons do Porto este ano, um ou outro na Champions, e o jogo contra o Sporting, de resto...pouco vi. Também acho que Varela tem vindo a perder o gás e dei o exemplo do jogo contra o Braga, que me parece ter sido um dos jogos menos felizes do extremo.
Mais um facto para a fogueira, como é possível que em dois jogos (contra o Benfica e o Sporting) o Porto tenha perdido sem apelo nem agravo, merecendo a derrota e fazendo corar qualquer adepto com senso comum?
O campeonato está perdido, Jesualdo fala mais e apresenta menos resultados do que devia. Só me resta esperar uma coisa, que Jesualdo saia no final do campeonato.
Parafraseando Paulo Bento, ficou um ano a mais. E vamos pagar as favas por isso.

Dúvida Ontológica

Liberdade de imprensa é o mesmo que imprensa livre?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Ironias de um Primeiro-Ministro

A antipatia de Sócrates para quem não lhe afaga o ego deve aumentar nos próximos dias, muito por culpa da capa, e respectivo conteúdo, do semanário Sol.
Muito se tem escrito e discutido sobre as demarches, fortuitas e menos fortuitas, do Primeiro Ministro para com alguns órgãos de comunicação e jornalistas.

Parece-me é que nos esquecemos da causa primeira deste comportamento. O que começou por parecer uma qualidade, logo se tornou num toque algo ditatorial. Esquecemo-nos que Sócrates começa o seu primeiro mandato com a pulga atrás da orelha para com os jornalistas. Depois do sarabandum sarabandim que foi o Governo de Santana Lopes, que cometeu erros atrás de erros, que nunca foi muito unido, a quem os media agradeceram pelas inúmeras manchetes e casos tratados, Sócrates percebeu que tinha de lidar com os órgãos de comunicação de forma diferente.

Irónicamente, parece ser esta uma das causas de maior crítica ao governante mor da nossa democracia. Querendo ser tão diferente do seu antecessor, correu mais do que ele, ultrapassou-o e corre o risco de ser desclassificado. Irónico, não?

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010



Façam um favor a vós mesmos. Gastem 11 Euros (11€) e comprem um dos grandes álbuns do ano.



quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Orçamento de Estado

Estou na horizontal, no meu sofá, a reler os primeiros onze números de Ex Machina, uma BD sobre um Mayor de Nova Iorque, que já foi super-herói.
A televisão está ligada na apresentação do Orçamento de Estado. Ouço o Ministro, vagamente, claro, a perorar sobre o conteúdo do mesmo.

Hoje, a caminho da escola, cumpro o ritual de cada manhã. 2€ pagam o Público e o i. Leio vagamente (novamente) sobre o conteúdo do Orçamento de Estado.

É impressão minha ou o Governo é constituído por portugueses. A única imagem na minha cabeça é aquela imagem do português e do seu cartão de crédito. Enquanto der, a gente gasta. Quando os bancos já não emprestarem mais... a gente logo vê.

Depois queixam-se que eu prefiro a ficção à realidade. Acho que hoje vou reler os one números de Ex Machina.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

30 Days of Night

Os subprodutos, que estão na moda, vampíricos levaram-me ontem a relembrar 30 Days of Night, o filme.

Curiosamente, Josh Hartnett consegue estar bem num filme, ou se quiserem, há um filme com ele que vale a pena, ainda que não seja para toda a gente.

30 Days of Night é a adaptação cinematográfica dos romances gráficos (nome pomposo para BDs) de Steve Niles e Ben Templesmith.

A história é simples. Uma cidade no Alasca, Barrow, é atacada por vampiros no momento em que está mais vulnerável, na altura em que passa por 30 dias de noite (o que acontece uma vez por ano).

Se a história era facilmente transponível para o grande ecrã, a dificuldade maior da adaptação passava pela manutenção do estilo de Templesmith, que é muito próprio.



Há quatro coisas a favor desta adaptação.
É dura, os vampiros não entram na linha romântica e sedutora da onda Twilight, mas são caracterizados como criaturas animalescas (daí que os grunhidos façam sentido e nos incomodem, quando em Destino Imortal são simplesmente ridículos). O carácter animalesco nota-se também na caracterização física e no sangue seco presente na parte inferior do rosto.

Por outro lado, a ambiência do filme. O som tem um papel preponderante neste filme, entre ruídos, gritos, grunhidos e respirações acentudas, a banda sonora transmite-nos a inquietação necessária para se retirar do filme o que os criadores desejam.

É claramente um filme de vampiros, mas é também um filme de resistência. Passamos metade do filme a assistir à tentativa dos humanos sobreviverem dos ataques (directos e indirectos) vampirescos, com o necessário esgotamento (físico e psicológico).

A realização é inteligente. Há sangue, a rodos, mas mais do que mostrar com a câmara em cima, por vezes coloca-se a câmara ao longe, de modo a transmitir a violência e a inutilidade dos esforços de fuga. Há cenas fortes, mas as cenas mais duras, psicologicamente falando, são aquelas em que só ouvimos a acção. Estou-me a lembrar duma cena em que Ben mata um dos seus colegas, entretanto transformado, e a única coisa que vemos (e ouvimos) é Stella, a sua esposa, agachada a uma parede e o som do seu choro.

O filme não é obviamente passável numa tarde de Domingo, é mais pesado do que isso. Mas tem dentro de si as questões que os adolescentes gostam (amor, sacrifício, amizade), embora dadas de forma mais adulta e consistente. Realce-se que não é para mentes sensíveis, a esposa fechou as portas (a da sala e do atelier) por causa dos sons que saíam da televisão, incomodou-a.

Um grande filme, longe da standardização adolescente a que os filmes de Hollywood nos vêm habituando, o que deverá ter tido impacto no sucesso obtido.

Os últimos 20 segundos são antológicos.
Vejam, se forem capazes.


Uma última nota: 30 Days of Night: Dark Days vai ser uma realidade, ainda que directamente para o mercado de DVD.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Acordado, a roer as unhas por causa dum jogo de futebol americano. Estava a gravé-lo, mas queria ver o resultado em directo!
Brett Favre não foi feliz, o que não apaga uma excelente época. De qualquer forma, o SuperBowl é mais ou menos esperado. Colts vs Saints. Promete. Mais uma noitada daqui a duas semanas.

Destino Imortal





A TVI abriu as hostilidades ontem, estreando a mini-série de vampiros, Destino Imortal. Para a semana é a vez da SIC.
Que me lembre não há grande nenhuma tradição vampiresca em Portugal. Desconheço livros, filmes ou outra coisa qualquer sobre vampiros de produção nacional, pelo menos com mais de 10 anos.
Todos sabemos da febre (eminentemente juvenil) actual com vampiros. Liga-se a tv, vai-se a uma livraria e é sabido que dificilmente não somos brindados com algum produto com os caninos mais afiados. Daí que as tvs aproveitem, ou tentem aproveitar, o filão.

Depois de uma estreia de quase duas horas o que se pode dizer de Destino Imortal?

Comecemos pela sinopse.
Miguel (Pedro Barroso) perde a mãe, num acidente automóvel e vai viver com a avó para Sintra. Na faculdade, conhece Sofia (Catarina Wallenstein), uma vampira que suporta a luz e os raios solares, por quem se apaixona.
O primeiro episódio mostra-nos o regresso de Miguel a Sintra, a tentativa de enquadramento na Universidade e num novo grupo de amigos (que neste momento é constituído por duas pessoas) e o início do relacionamento com Sofia. Sofia, que pertence a um clã (parece que com ela são quatro), suporta a luz do sol e o seu pai tenta replicar essa característica para benefício da sua raça.
Descobrimos que Viktor, o criador do pai de Sofia, está em Sintra. E acontecem alguns crimes.
Ah, e a irmã de Sofia, Valentina (Evelina PEreira), que de longe parece uma das irmãs de Edward de Lua Nova, é má como as cobras.
Já agora, uma das professoras tem uma forma peculiar de pronunciar faraó, "Fáráó". O que é bonito!

As minhas expectativas eram baixas, mas não sendo um clássico consegue ser melhorzita do que estava à espera. Pelo menos vi até ao fim, sem adormecer, o que não posso dizer de Crepúsculo.
Explico.

Destino Imortal cola-se a Crespúculo e Lua Nova. Pela temática, pela divisão entre vampiros bons e maus, mas acrescenta um pouco mais, um Dampyr ou Dampiro (não, não é um vampiro do Norte), que é o filho de um vampiro e uma humana e a tal vampira que suporta a luz do sol (ainda que seja mais pálida que uma sueca.)
O pastiche é óbvio, em algum guarda-roupa (de Valéria, essencialmente), na ausência de Baseball, coloca-se o personagem principal a jogar Rugby, a atracção entre um humano (mais ou menos) e uma vampira e o ar de ligação proibida que aquilo tem, para eles e para a família dela. A série é feita para cativar a quantidade de gente que leu e viu os filmes da série Lua Nova.

O que é que falha?
Muita coisa. O guarda-roupa é pavoroso, na cena em que o clã de Sofia é apresentado, Rogério Samora e Maria João Luís parecem artistas de circo demodé. A tentativa de dar uma aura gótica a Sofia funciona de vez em quando, mas às vezes ela é simplesmente foleira. O vestido cor de rosa com o espartilho preto berrava de tão mal que lhe ficava.

A escolha por Sintra parece acertada, mas a realização não a aproveita. Sintra poderia ser um dos personagens principais, a serra vai aparecendo, pouco, podia ser outra serra qualquer, mas a vila, por enquanto, está lá só porque sim. Um desperdício...

A universidade (o exterior) parece saída de um filme do Harry Potter com falta de fundos e ainda não percebi que curso é que aquelas criaturas estão a tirar. Já percebemos que é História, mas o aproveitamento das matérias é demasiado maniqueísta. De louvar ver uma professora a tirar o casaco de costas para a plateia. São assim os nossos professores, ou só os universitários? Os colegas dos personagens principais, para alunos de história, são um pouco burros no que à História diz respeito.

Os satânicos são um bando de gajos rebarbados que encontraram uma forma simpática (satanismo) de fazer-se às gajas. Fico mais convencido com os góticos da margem sul, mas está bem.

Os actores são fracos, mas não menos do que estamos habituados e um pouco melhores do que os dos Morangos. Não gosto da Catarina Wallenstein. Demasiado pálida, quieta, morta para o meu gosto. No entanto consegue ser mais viva que a rapariguita da Lua Nova, tendo em conta que a portuguesa está morta e a outra viva - um a zero para a Sofia.

Os efeitos especiais são fraquitos, mas funcionam, ainda mais quando pensamos que é uma série portuguesa. Se começarmos a fazer comprações, vamo-nos divertir muito. Os rosnares animalescos dos vampiros eram dispensáveis, ninguém viu o Gary Oldman? Os efeitos visuais para dar um ar animalesco desculpam-se. Nas cenas que lidam com os mortos nota-se alguma inteligência, notamos a falta de meios, mas preferimos isto a cenas foleiras.
A cena em que as duas irmãs se angalfinham as duas e pulam, era dispensável, é rídícula e a encenação demasiado primária.

A realização é fraquinha e por vezes hilariante. Uma das cenas em que Viktor aparece no canto esquerdo do ecrã, é tão ridícula que quase apago a tv.

O que é que funciona?
É uma mini-série. São só seis episódios, com objectivo de se seguirem mais algumas mini-séries. Gabe-se a sabedoria. Parece que a série da SIC são cento e muitos episódios....

Há uma noção do que se pode ou não fazer e fizeram-se algumas escolhas acertadas.

Não é pior do que Crepúsculo ou Lua Nova, tendo em conta a falta de dinheiro e meios, até consegue ser mais tolerável. Pena é o pastiche.


Não vai ser um grande marco, pelo menos no plano estético e no plano narrativo. Continuamos a não perceber o que conseguimos fazer com grande qualidade e, caindo nas modas, tentamos (parece-me que com algum sucesso) tirar proveito delas. Sinceramente, esperava pior. Consegue ser melhor do que os Morangos, Floribella ou outros produtos de sucesso. Não preza pela inovação, mas consegue ser um escape (divertido).

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Não sei se as pessoas nos conhecem tão bem como esperariam ou se nos moldam como gostariam que fossemos. Por causa de algumas discussões e posts (aqui e no facebook) lembrei-me de um ou outro episódio.
Claro que tenho amigos que me "tentam mudar", no bom sentido, sabem quais as minhas limitações e tentam convencer-me a fazer algo ou adoptar hábitos que me levem à supressão de alguns defeitos. Claro que uns, na sua boa vontade, adoptam estratégias fadadas ao insucesso. Claro que não temos de mudar ninguém, mas por vezes podemos tentar ajudá-los, co-ajudá-los (não sei se a ideia que quero passar está efectivamente a passar).

Outros fazem uma imagem de mim que não é a correcta, ou aspiram a fazer de mim outro que não aquele que sou. Não percebo.
Lembro-me de um caso escabroso, que pode ilustrar mais facilmente o que quero dizer. Há uns anos, valentes, um amigo decidiu organizar-me um blind date. Conhecia-me suficientemente bem ou pelo menos achava que sim (tanto eu, como ele). Por piada, entrando na brincadeira, fui. Claro que nada deu certo. Quando falo de nada falo de tudo menos de relações amorosas, que seria a última coisa que me passava pela cabeça. Fui pela piada. Lembro-me de estar em casa dele e ele dizer-me que tinha de conhecer uma amiga dele. Que já lhe tinha falado de mim e que achava que ela seria indicada para mim e eu para ela. Pois... Temo e angustio-me perante mestres casadoiros, mas nada como provar que estão errados.
Ele, sabendo como eu sou com marcações, pega no telefone, telefona-lhe e coloca-nos a falar um com o outro. Marcamos um café.
Dois estranhos tentados por outrém a uma conversa. Os interesses dela não eram os meus, nem estaria interessado nos interesses dela. Poderíamos ter sido amigos, mas não sabíamos, na altura, como. Enquanto homem, aquela seria a última mulher para quem olharia. Penso que ela pensou o mesmo. Possibilidade de algo mais do que uma amizade? Menos 100. Possibilidade de uma amizade? Nula. Porquê? Não faço a mínima ideia.

Aparentemente estas situações são recorrentes. Noutra ocasião, pensando que andava demasiado só, uma das minhas melhores amigas disse e se saíres com x? Eu olhei para ela, disse que não e a conversa acabou por ali. Claro que não. Mas há pessoas que percebem à primeira.

Por isso é que me faz impressão as pessoas, que na maior das boas intenções, tentam juntar duas pessoas que conhecem e gostam. Sinceramente? Não se metam nisso. O Coração foge à razão, não é matemático.
Não será por mal, mas tentamos por vezes juntar as pessoas que gostamos, inconscientes de que nada têm a ver uma com a outra. Fazendo isto, por vezes podemos estar a "cavar uma sepultura" não só para nós, mas para os outros.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Ghost in the Shell



Uma boa série que alia a ficção científica ao policial. Muito bom, pelo menos os primeiros 4 episódios.
Tenho vontade de ler mas não consigo consubstanciá-la. Ando cansado. Os livros que tenho em mãos não me chamam, por alguma razão. Comprei anteontem um policial argentino passado em França (devia querer dizer qualquer coisa. Isso e os dois euros que custou), não consigo passar da página 6.
A minha única consolação é saber que daqui a uma semana começo a ler o material para a tese. Aí sim...quer goste ou não, não vou poder fugir.
O FCP cada vez joga melhor. Ontem foi um alívio ver o jogo, uma resposta para mim que andava temeroso face aos fracos resultados. Aquilo sim... jogo bem jogado, jogadores motivados, poucas perdas de bola, lances perigosos, jogadas bem pensadas.
Agora falando mais a sério, já se corria com o Jesualdo, não?

As notícias nos jornais sobre agressões entre Liedson e Sá Pinto são uma machadada na imagem de Sá Pinto. Fica-se com uma noção mais clara da recusa de Paulo Bento em tê-lo na equipa. E escolheu mal a vítima, Liedosn é bem querido dos sócios e resiliente, acredito que ganhou a fist fight. E agora?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Evangelicalismos

"For the modern evangelical, worship is defined exclusevely in terms of the individual´s experience. Worship, then, is not about adoring God but about being nourished with religious feelings, so much that the worshiper has become the object of worship.
Others - probably the majority in modern American evangelicalism - have utterly negelected any commitment to the content of the Word and have ended in a sea of subjectivism and calls it ´being bathed´ in the presence of the Holy Spirit. These people come to church exclusively to ´feel´ God. Some churches have even decided to call their worship services ´experiences´".
Monte E. Wilson

sábado, 16 de janeiro de 2010

No futebol tudo é possível

Jesus chama Kardec é das frases, religiosamente falando, mais estranhas que já vi.
Concretizar coisas na escrita é mais fácil do que dizê-las.

Isto está bonito...

O equilíbrio interior por vezes é difícil de manter. O cansaço físico e psicológico ajudam ao desequilíbrio.
Às vezes não é preciso muito para a muralha começar a ceder. Algo que não conseguimos fazer, algo que fazemos mas não atinge o objectivo, uma crítica velada (prefiro as directas), uma piada que me faz sangrar.
Se calhar estou a precisar de férias...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O passado é um país que vale a pena visitar. Os seus habitantes são parecidos com aqueles que conhecemos, mas ao mesmo tempo são muito diferentes.
Visitamo-lo de vez em quando, mas muitas das vezes saímos de lá tristes com a imagem pálida do presente. Se é verdade que o construímos com as nossas memórias e vivências, a verdade é que nem sempre o devemos misturar com o presente.
Nas últimas duas semanas tenho interagido com pessoas que conheci. Escrevo no passado porque os anos alteram demasiadas coisas. Não ouso cometer a veleidade de pensar que ainda os conheço. Já passei pela experiência de reencontrar amigos, anos depois, e constatar que já não os conhecia e vice-versa. Sem querermos (às vezes), consciente e inconscientemente vamos mudando. A fisionomia muda, os nossos gostos, a nossa forma de estar e de ser, temos mais ou menos pachorra para determinadas coisas, vamos crescendo, envelhecendo, como diz o povo, ou rejuvenescendo, conforme a personalidade de cada um.
De qualquer modo, há pessoas que nos conhecem de forma diferente, dependendo do contexto, da familiaridade que lhes demos, do que lhes demos a conhecer.
Há pessoas que me conhecem há anos, mas não me conhecem, intuem algo, acertando várias vezes, mas outras, que me conhecem há bem menos tempo, conhecem-me demasiado bem.
Ontem, no FB, alguém com quem privei durante anos escrevia que em miúdos (e o miúdos durou imenso tempo) éramos demasiado sérios para a idade.
Gostei imediatamente da expressão. Acredito que muitos me coloquem imediatamente dentro dela, que outros tenham mais dificuldade em fazê-lo. Depende do círculo onde me movo e de onde eles me conhecem.
Gostei imediatamente da expressão, mas não sei se concordarei com ela a 100%. É o problema de querermos ser algo que não somos e dos outros verem o que somos? Talvez. Acredito que fui e sou, por vezes, demasiado sério para a idade, mas penso que trocamos a seriedade pelo desinteresse. Na verdade, em muitas situações acho que o meu desinteresse para com determinados valores, ideais, hábitos (próprios daquela idade) foi encarado como seriedade. Não era, era desinteresse.
Claro que podemos ser desinteressados alegres, em algumas situações não deixei de o ser, talvez não com toda a gente.
Vieram imagens à minha mente, desses anos, acho que nunca me ri tanto, como então. Brincávamos, ríamos, éramos maldosos, cínicos (contraditoriamente, por vezes, sem maldade) mas éramos tão divertidos como a idade nos deixava ser.

A seriedade fechou e mas abriu-nos portas. Somos hoje o que somos, para o bem e para o mal, pelo que fomos construindo ali e pelas decisões e mudanças que fomos fazendo desde cedo.


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Comprei há uns meses 30 números de Sandman Mystery Theatre, escritos por Matt Wagner e Steven Seagle e desenhados por Guy Davis. Do 30 ao 60. A série conta a história de Wesley Dodds, o Sandman clássico, durante os anos 40. A Segunda Guerra Mundial, o comunismo, o anti-semistismo, mas também o feminismo, racismo e aborto são temas abordados pela série.
A ideia ao ler estes 30 números é que a série foi crescendo, perdendo, por vezes, com a fixação de arc-storys de 4 números.

Embalado pela leitura, comprei a última história editada, uma mini-série, que mata o herói da série original e apresenta um novo herói já no século XXI.
A arte é interessante, bem melhor do que Nguyen me habituou, mas a história atinge requintes de malvadez. Nunca me senti tão desiludido, enganado e aborrecido com uma história de BD. Ainda para mais, é inconsequente, completamente desnecessária e em 5 números não consegue caracterizar nenhum dos personagens de forma satisfatória. Depois há uma incongruência com datas que nem merece referir.
Completamente escusado. Pela primeira vez pensei em escrever para a Vertigo a pedir o meu dinheiro de volta.
Não me lembro de uma única notícia sobre o Haiti nos últimos 10 anos, nos media portugueses. Deve ter havido, o problema será meu.
Mas, haverá alguma perspectiva que ainda não tenha sido abordada na tv portuguesa? O que é demais é moléstia. Já vi experiências pessoais, vídeos feitos no momentos, enviados especiais, a perspectiva política (mundial e cá do burgo), a perspectiva religiosa, a ajuda da Cruz vermelha/azul (nesta e noutras situações), a perspectiva científica (em português e inglês), a perspectiva da construção civil.

Tenho dificuldades em encarar tudo isto somente como tratamento justo do que aconteceu. Quando há mortes, os abutres aproximam-se...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Epá, tá vento, muito vento

Fiz a curta viagem Seixal-Barreiro sem o pé no acelerador. Admirado porque hoje não são muitos aqueles que passam por mim. Com o temporal que está, chuva e vento, poucos são os que arriscam a andar a mais de cem km/h. Quando tentei acelerar um pouco mais, senti o carro tremer pela força do vento.
Cheguei inteiro.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Acordo.
Sou vencido pela necessidade de me levantar da cama. Passo pelo móvel, onde estão algumas fotos da juventude. Constato mentalmente as mudanças ocorridas, primeiro, as físicas, aquelas que saltam à vista. O peso, a altura, as olheiras, o cabelo, a barba.

Sento-me à secretária, com o monitor do computador à frente. Entre e-mails e redes sociais, lembrei-me das horas passadas a conversar, das cartas escritas, dos telefonemas para casa dos amigos (e amigas).
Hoje, com um toque ou dois do rato, vejo caras que não via há muito tempo, gente que há 20 anos atrás ou não veria mais ou uma ou duas vezes na vida, quanto muito.

As memórias vêm à minha mente. Encontros combinados, sdesencontros, ídas ao cinema. Sair do barco e andar durante uma hora, descer das Amoreiras aos barcos, subir a pé dos barcos ao Campo Pequeno -  às vezes para dizer olá, estar um pouco com determinada pessoa. Penso como estupidamente nos metíamos dentro duma sala escura, a ver um filme, esquecendo a possibilidade de falar. Cada um ia para a sua casa, e passávamos meses sem contacto físico, um telefonema aqui, uma carta acolá.

Hoje não. Consigo descobrir gente esquecida por mim até há um clique atrás. Deixo uma frase oca aqui e ali. Falta-me o contacto, o tempo, o falar, o ver.

Mankell por Branagah

As últimas duas séries adquiridas foram alvo de alguma ponderação. Havia algumas na lista, logo o importante era decidir o que comprar primeiro. A caixa que me falta de Rebus, com Ken Stott (a primeira com John Hannah não me chama)? Apparitions, uma série inglesa, em que o personagem principal é um ministro da Igreja? Outras (?) de que não me lembro agora....
Optei pela 6ª Season de Spooks, uma das minhas séries favoritas. Acho que o status quo dos personagens principais está inerte há muito tempo, o que é raro nesta série, e se a season anterior manteve o nível anterior, não me matou a sede como seasons anteriores.
Mas como ia comprar duas, optei por um risco ponderado, Wallander, produzido e interpretado por Kenneth Branagh.
Porquê um risco? Não é que não goste de Branagh, pelo contrário, o que se passa é que gosto demasiado de Wallander, personagem criado pelo sueco Henning Mankell, de quem já li toda a série Wallander.

Já tinha visto 4 ou 5 episódios da versão (na  verdade há duas e vi episódios das duas) sueca de Wallander, baseados nos romances de Henning Mankell. E se é verdade que há diferenças, na série de que vi mais episódios a filha já é um personegm coadjuvante, a opção não caíu na adaptação dos livros (só daquele em que a filha entra pela primeira vez como personagem principal) mecânica, mas pela evolução dos personagens, ainda que estes sejam similares aos da versão literária.


O elenco da série sueca - Ola Rapace (Stefan Lindman), Krister Henriksson (Wallander), Johanna Sällström (Linda Wallander)

Assim, depois do Wallander em DVd chegar, sentei-me, com a esposa, frente à tv e vimos o primeiro episódio.
Demorei algum tempo a entrar. Esta demora tem duas faces distintas. Por um lado,  acho difícil "entrar"  em filmes ou séries baseados em livros que já conhecemos, mais complicado será quando já vimos adaptações, que gostamos bastante. Mas quando o que estou a ver responde ao que já foi dito e é baseado numa das minhas séries favoritas, pior ainda. O espírito crítico aumenta e penso que os primeiros 15 minutos foram dolorosos para a Sara, eu resmungava, dizia que ele não reagiria assim, enervo-me porque... já vão ver.

Branagh é um actor seco, fisicamente. Ainda assim, o seu Wallander é mais gordo do que estava à espera. Talvez por ser um actor que prezo, Branagh é o suficiente para me cativar, mas a produção e a realização, bem como algumas opções de argumento deixam-me logo de pé atrás.

Noto a presença feminina de colegas da polícia, quem são? Nos livros, o mundo é masculino. Quem são estas senhoras? O que  estão aqui a fazer?
Noto a ausência irritante da identificação dos coadjuvantes de Wallander, aqui e acolá dão-nos um doce (um nome), mas parecem-nos indicar que quem interessa mesmo é Wallander, o resto é paisagem. Nos livros esta noção não é tão acentuada. Wallander é o personagem principal, mas os seus coadjuvantes nunca são atirados para o enredo como palha. Primeira dificuldade a gerir.

Psicologicamente, a personagem de Kurt está bem definida, mas ainda assim não é o polícia que eu conheço, há diferenças quanto aos livros e a série sueca, a que melhor conheço, fá-lo melhor, até mais subtilmente. Wallander nunca passaria por uma cena de violência e continuaria impávido e sereno. Quem é este Wallander?

Se na série sueca a casa de Wallander parece-me sueca, mais não seja pela presença do IKEA, aqui parece-me estilizada, nua, mas anódina.

Vimos o primeiro episódio, 90 minutos, uma hora e meia, e nessa hora e meia Wallander não ouviu música uma única vez. Quem é este Wallander? A música é o escape de Kurt, quando descansa, pensa, come ouve música. Aqui, aparentemente, não. Comporta-se como o chefe da polícia, será? Não sei. Não tenho dados suficientes para ter uma conclusão.

Há muitos dados interessantes e contextualizadores que são deixados de fora. Irritam-me. Talvez porque conheça melhor Wallander do que muitos familiares meus, e este não é o mesmo Wallander que conheço.

Acabo por decidir abstrair-me do que já li e vi. Tento perceber quem é o Wallander de Branagh. Acabo por gostar do episódio, mais pela história em bruto do que por tudo o resto. Achei a realização fraquita, Ystad podia ser uma outra cidade, num outro país, não percebo porque foram filmar para a Suécia, tirando alguns planos da natureza, nada me leva automaticamente para aquele país nórdico.


Branagh como Wallander

A escolha mais feliz no que à caracterização diz respeito tem a ver com a presença e o relacionamento de Wallander com o seu pai. O casting foi feliz, mas para além do casting é o único aspecto do argumento em que não faço ressalvas. Encheu-me as medidas.

Faltam 2 episódios. Vou vê-los (Vamos vê-los). Espero que  a série cresça. Espero que o Wallander de Branagh seja definido, claro e cresça - já que o piloto não é brilhante, é interessante, pouco mais. O que mais me fascinou foi a história em si, mas a história é uma decopage do livro de Mankell.


Praguejo pelo preço alto que a série sueca custa, por enquanto não a troco pela versão de Kenneth Branagh, a bitola ainda não foi atingida, muito menos ultrapassada.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Conselho de Leitura

Um dos autores portugueses de quem mais gosto é Ruben A. (clicar aqui). Tenho as Páginas completas.
tenho optado, pelo preço mais em conta, comprá-lo na Feira do Livro. O ano passado comprei Kaos e o primeiro Volume de O Mundo à Minha Procura. Ainda não os consegui ler.
Tenho sofrido com eles uma contradição. Não os quero ler demasiado depressa, e não são livros (mais o Kaos) para se ler no café ou em casa, ao fim do dia, cansado.
O que mais me agrada em Ruben A. é o carácter lúdico da utilização da língua portuguesa e as marcas própria da utilização que ele faz. Algumas onomatopeias, alguns apontamentos, algum delírio.
Choca-me que mais não o conheçam, que não se ouça falar dele. Passei por um curso de Literatura Portuguesa e tirando as figuras de charneira, poucos autores desconhecidos me foram dados a conhecer. Quem é que li no curso que desconhecia? Teolinda Gersão, não me lembro de mais nenhum.
O final do ano e o início deste novo levou-me a afastar das notícias e dos jornais, de que dependo por questões profissionais (uso-as e-os para testes, aulas, debates, exercícios vários).

Enquanto tento voltar aos hábitos diários, noto um despojo novo em relação à actualidade. Tudo me parece inconsequente, recursivo e relativo.

Às vezes o período de nojo impele-nos para outras margens. Estou afastado do interesse que tenho de ter e não sinto grandes remorsos por isso.
Há quem pense que um dia vou escrever, pelo menos, um livro. Ao longo do meu percurso académico (tanto como aluno, como professor) tenho ouvido pessoas a comentar o desejo/medo.

Por enquanto, quedo-me satisfeito por ter publicado alguns textos na Callema e por alguns terem sido elogiados.

Talvez esperançosa, talvez, a esposa ofereceu-me no Natal um bloco, com um desenho de um biblioteca antiga. Uma bela figura, mas triste sina, quantos dos livros antigos são ainda hoje lembrados?

Vou escrevendo algumas coisas, no meio das folhas há uma ideia com mais pernas e cabeças do que o usual.

Escreverei um livro? Talvez. Mas deve ficar para mim... É o que há de mais certo:p

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Ouvindo

Ela senta-se ao seu lado. Começam a falar sobre como será o céu, se haverá céu e vida depois da morte. Ele deve ter mais de cinquenta anos, é alentejano, paira aqui várias vezes. Sabe de tudo (pressupõe), fala de tudo (efectivamente). De finanças (acções), mas também de Totoloto (como ganhar no Totoloto), saúde, futebol, política, hábitos culturais, normas sociais. Ouvi-lo falar do transcendente é uma estreia para mim.
Ela é mais nova do que ele, deve ser alentejana, avaliando pela repetição do "que Deus tem", ainda que pela conversa percebo que não acredite em Deus.
Talvez por terem começado a falar do céu, ela tenta falar do seu pai, que Deus tem, da sua mãe, que Deus tem, e também do marido, sim, que Deus também tem.
Ele não a ouve, está demasiado ocupado com a sua voz, pára, ela volta a tentar entrar na conversa, ele sente saudades da sua voz e continua.
Pensa em voz alta, mais do que conversa. Fala sobre Deus, morte, reencarnação, espíritos, sonhos, magias (branca e negra).
Eu desligo. É "ecumenismo" a mais para as nove horas da manhã que  relógio marca.

Meanwhile

O tempo tem sido pouco para tanta actividade. Testes para corrigir, Natal, Ano Novo, preparação de aulas, trabalhos para mestrado que algumas coisas têm sido negligenciadas. Este blog é uma delas.
Outra razão é a minha entrada no FaceBook (UAU!), teimosamente fui resistindo, mas decidi ver o que aquilo era do ponto de vista do utilizador.

Uma das coisas que me assusta é a quantidade de questionários que os meus amigos preenchem, vocês devem fazer as alegrias de muita gente com papel e caneta ali para os lados do Rossio. Nunca pensei conhecer tanta gente envolvida na lavoura, na piscicultura e na confecção de comida. Foi uma surpresa, ainda que admita um certo desconforto com gente a morar em Loures a querer ser meu vizinho.

Uma das coisas engraçadas, a mais engraçada, a meu ver, tem a ver com a quantidade de gente com quem já pude comunicar e que não via há uns aninhos. Já falei com pessoas que não vejo há 7 ou 8 anos. É obra.
Claro que a comunicação é diferente ali do que cara a cara, mas parece-me uma boa forma de manter algum tipo de contacto, ou picar diariamente a madrinha e vice-versa.