quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Menina do Magnum Branco

Pouco tempo te tive, mas como esse pouco se multiplica quando penso em ti.
Com uma mordacidade, humor e simplicidade, pouco típicas de uma criança, cativaste-me, cativaste-nos.
Se calhar somos nós, adultos, que se perdem numa maturidade acéfala, e teimam em acriançar adultamente as crianças que crescem. Mas deixemos de falar de nós, adultos, tenho saudades tuas.

Do sotaque, da crítica bem disposta, do sorriso, dos abraços, do carinho, do riso, de gozares comigo, da timidez, da sinceridade, tenho saudades de ti, gulosa.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

comemorações

Mesmo que não quisesse já todo o jornal, perdão, suplemento de jornal e revista especializada na área me/nos relembrou que o in utero dos Nirvana saiu há 20 anos. Não me apeteceu ir ver, mas gostava de saber há quanto tempo saiu este. Agressividade por agressividade, este continua a ser o meu álbum favorito dos rapazes de Seattle. Todas as temáticas, todos os demónios de Cobain estão ali, parece-me que o futuro de Cobain também mora ali.






terça-feira, 4 de outubro de 2011

Admiro as pessoas que conseguem dizer o que pensam frontalmente. Facilmente passam por arrogantes, cruéis, energúmenas, como se calar fosse o mais natural. (Claro que às vezes são, mas o ponto aqui não é esse...) Normalmente caio nesta faceta, falo e falta-me, confesso, senso para analisar o contexto, o público, reconheço que muitas vezes era preferível ter ficado calado, não pelo que disse, mas no contexto em que o disse ou com o tom com que disse. Mas o ponto é a necessidade de criticar ou estipular alguma coisa frontalmente.
Já disse o que não queria por pressão. Obrigaram-me a dizer o que não queria dizer naquela altura, com aquele auditório, mas tanto me obrigaram que... disse o que tinha a dizer e chateei-me com aqueles que me criticaram a falta de lisura. Porque tememos tanto a dissonância? Parece-me mais importante saber o que o outro realmente pensa.
Aqui há tempos ouvi alguém dizer que discutimos por não comunicarmos, tendemos a intuir, por vezes, erradamente, quantas discussões/preconceitos nascem por interpretações nossas? Talvez por ter achado interessante e viável o ponto admirei-me com a conclusão. Em vez de se realçar a comunicação como algo a praticar, a conclusão apontava para a não discussão, já que não sabemos tudo e podemos cometer erros de julgamento. Não é esse o objectivo da comunicação?

Abrir a boca é um desafio, as moscas podem sempre entrar, ou mesmo sair!
Parece que compreendemos quase unicamente o desacordo como sinal de má educação, parece-me mais saudável compreender onde e por que é que estamos em desacordo e avançar a partir daí.

Esta ideia levou-me para outra, admiro, cada vez mais, as pessoas que conseguem ouvir o que os outros dizem frontalmente e continuar a gostar/falar/dar-se com eles!

Comunicação tem muito que se lhe diga, as Técnicas de Comunicação começam já para a semana!!!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

De como so(u)mos

Facilmente os outros nos descobrem, intuem ou descrevem-nos como somos, em duas ou três palavras, acutilante sentido de observação, como se pudéssemos ser descritos a frio, como se fossemos sempre daquela forma.
Ultimamente tenho tentado mudar algumas das minhas formas de ser, não por ser do contra, que sou, mas por tentar, inultimente, por vezes, ser melhor do que sou. Confesso que muitas das palavras com que os outros me definem estão presentes em mim, direto, politicamente incorreto, sem papas na língua. Sou um pouco assim, ou muito, depende de a quem perguntarem.
Sinto que esta forma de ser me tem prejudicado, quer pela aparente impulsividade que a sinceridade traz acoplada, seja pelo medo dessa mesma sinceridade. Ignoram, espero eu, que o que digo é dito sinceramente, mas com amor, cuidado, a força das palavras toldam estes sentimentos e por vezes são razões suficientes para me calar, mas dificilmente me calo quando acho que tenho razão, no entanto vou aprendendo a fazê-lo. Há dois meses fui atingido por uma bomba não expectável, pelo menos no grau de destruição, recebi mensagens de carinho, de apoio, recebi mensagens coerentes e corretas, com ou sem carinho. Houve uma que me magoou, não pelo conteúdo, mas pela ausência aparente de compreensão e apoio, duas horas depois, recebi outra em tudo igual à anterior, mas com sincero amor. Fez toda a diferença.
Sinto que algumas pessoas evitam confessar-me algumas coisas, sei a razão, mas não a entendo, ou entendo que não me conhecem ou a forma como me tenho dado as tem afastado. O que fazer? Entre as muitas opções opto por nada fazer, sei que sou imperfeito, nos sentimentos, nas ações, nas palavras e tenho evitado convencê-las de algo contrário.
As ações e resoluções são para quem as pratica, estamos cá para quem quiser, entretanto vamos tentando mudar-nos, ainda que lentamente.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A preparação do estudo para Domingo correu bem, mas no final do dia recebi uma notícia que me obrigará não só a dar o estudo mas a viver o estudo.
Ainda que difícil, é uma lição.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

FCP e Vítor Pereira

As vitórias têm conseguido esconder um plantel mal escolhido, um treinador fraco e uma forma de jogar pouco concreta.
Sim, eu sei que o Porto é o campeão do poste e da barra. E então?
Como se explica um plantel somente com um avançado? Ainda para mais sem as características que devia ter. Vi os cinco jogos do campeonato, algo que não acontecia há alguns anos e adormeci em todos (isto não é uma imagem, é real)! O jogo do Porto é pouco concreto, é verdade que tem posse de bola, mas pouco faz com ela. Ainda ontem viam-se cruzamentos para terra de ninguém, não havia lá ninguém.
A culpa não será somente do treinador, o presidente também tem a sua parte, mas se o jogo preconiza um agente como o treinador, então ele deve estar lá para alguma coisa.
Sinceramente, não esperava que o Porto tivesse ganho os primeiros jogos, ainda que esperasse a forma como os ganhou, soporifamente.
Gostava, e custa-me dizê-lo, que o Benfica ganhasse de forma concreta e sem casos. Porquê? Para o Porto acordar, para o treinador agir de alguma forma.
Felizmente a NFL ainda vai no início...

Lars Kepler

Lars Kepler não é uma pessoa, são duas, Alexander Ahndoril e Alexandra Coelho Ahndoril. Se querem mesmo saber a senhora é filha de uma portuguesa, ainda bem que escreveram esta série usando um pseudónimo, senão andaríamos à procura dos seus livros na secção de autores portugueses, como me aconteceu com o Daniel Silva.
Neste momento há dois romances editados em português, o primeiro é O Hipnotista, primeira obra em conjunto, o segundo é O Executor.
Para variar, comecei pelo segundo e gostei, mas depois li o primeiro e a verdade é que a estreia parece-me mais forte do que a continuação.

Em O Hipnotista somos confrontados com o assassínio brutal de uma família (pais e filha), o filho resistiu e está internado no Hospital, tornando-se a única testemunha do crime.
Joona Linna, o herói da série, polícia da Judiciária, responsável pelo caso, pede ajuda a Erik Maria Bark, médico e antigo hipnotista, que jurou publicamente nunca mais praticar a hipnose. Convencido por Joona, Erik quebra a promessa e daqui para a frente tudo parece correr mal, o seu filho é raptado e Erik vai ter de confrontar-se com o seu passado.

O romance de estréia é uma tour de force, com 560 páginas, num estilo pormenorizado e detalhado, com alguns flashbacks que poderão não agradar a todos, eu delirei. Trata-se de uma história negra, cruel, que não nos deixa respirar (alguns respirarão nos flashbacks, mas é tudo uma questão de estilo e gosto). Quando terminei O Executor, refilei com as comparações a Stieg Larson, comparações que compreendo depois de ter terminado o primeiro livro.
Joona Linna é mais um polícia marcante dos policiais nórdicos, inteligente como todos (wallander, Winter, Hole), persistente (como os anteriores), perspicaz, um pouco cagão, com problemas nas afeições pessoais (confere), mas, ainda assim, mais comedido nas suas desgraças (é difícil descer mais baixo do que Harry Hole).
A força de o Hipnotista é a descrição pormenorizada dos estados de alma das personagens, ora quando se fala de um livro que descreve um grupo de pessoas com problemas psicológicos, essa força é digna de realce.

O segundo romance de Lars Kepler, O Executor, é ligeiramente menos negro, penso que mais por defeito do que por vontade. Se calhar esta minha opinião parte do maior interesse que o primeiro livro me despertou, já que pensando retrospetivamente o livro é negro, cruel, mas se calhar é menos violento para o leitor do que o segundo, é mais cinematográfico, mais visual, enquanto o primeiro me surpreendeu mais  psicologicamente.
Avancemos, o enredo de O Executor começa com o aparecimento de uma mulher morta num barco no  arquipélago de Estocolmo. No dia seguinte, Carl Palmcrona, director-geral de Armamento e Infraestruturas de Defesa da Suécia, é encontrado enforcado em casa. Joona Linna desconfia da hipótese suicídio e recusa-se a dar o caso como encerrado.
Pouco a pouco, Linna e o leitor começam a perceber de que modo estas duas mortes estão ligadas.
O Executor insere-se, mais facilmente, no chamado Policial Nórdico pela sua trama, as questões da guerra em África, o tráfico de armas e a violência de estrangeiros em solo sueco, tão caras a Mankell, estão presentes aqui.
Confesso que gostei muito do que li,  (acabo de saber que se trata de uma série de 8 volumes, aqui), mas desgostei um pouco da opção final de trazer spoilers, mais pelo spoiler em si, que me parece demasiado telenovelesco.
Leim e digam de vossa justiça.